quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Duas caras

Duas Caras. Duas almas, dois corações em um só corpo. Isso é normal? Gelo com fogo. Os lados distintos se cruzam num só.
Aí está você, paradoxo.
Aí está você, a verdade.
Nunca se pode saber o que realmente você quer, ou sente, ou pensa, ou é. Nesse mundo onde ninguém pode ser totalmente transparente, é assim que você prefere ser.
Aí está você, reflexo do mundo.
Aí está você, mundo real.
Aonde você vai agora? Quem é você agora?


E amanhã?

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Realismo

Gostaria de poder estar onde quisesse no exato momento em que desejasse. Se pudesse se teletransportar para as nuvens, e voar num universo só dela quando aqui estivesse insuportável, o faria.
Desejava, dormindo ou acordada, um príncipe encantado e um mundo mais bonito onde pudesse viver feliz para sempre com seu nobre rapaz. Ela não sabia o que era vida real, mas vivia muito melhor do que as pessoas realistas à sua volta, por incrível que pareça.
Um dia, ela começou a encarar as coisas com mais seriedade, começou a esquecer seus contos de fada e seus anseios extraordinários. E assim, tristemente, ela cresceu.

Cravado em mim

Meus cabelos ainda tinham seu cheiro, meu corpo ainda sentia seus abraços. Naquele dia eu queria, ansiava um momento a mais. Precisava de você e você não estava aqui. Você nunca esteve aqui. E por mais que eu tentasse esquecer, tudo me remetia a você.

Você cravou uma flecha com um veneno poderoso no meu coração e nos meus pensamentos e era em vão tentar retirá-lo de mim. O seu veneno me corroía aos poucos, mas eu ainda assim queria tê-lo comigo... Porém, havia um lado meu que lembrava que eu devia arrancá-lo da minha vida. Devia me curar: esquecer que você estava em mim.

Tentei muito, por muitas vezes, esquecer que um dia você surgiu em minha vida. Mas eu sei que no fundo, nunca tentei de verdade. Porque eu queria sempre senti-lo, mais uma vez, perto de mim. Era tudo como um vício: um veneno corrosivo e vicioso, que tomava conta de mim cada vez mais, e ainda mais quando eu tentava me libertar. Talvez eu estivesse querendo sentir novamente você próximo a mim, principalmente porque quando eu o “tinha”, pouco dessa proximidade havia. Eu não o tinha de verdade - sentia a falta de algo que nunca tive por completo.

Com o tempo, fui aprendendo a conviver com sua ausência tão presente (ou presença tão ausente) em mim. Hoje, seu cheiro ainda está aqui e a lembrança dos seus abraços e beijos me vem à mente algumas vezes. Mas o veneno não tem mais o mesmo efeito devastador de antes e a dor não é intensa...
Com você, pelo menos uma coisa de bom eu aprendi: o tempo cura tudo.
*

"Se eu pudesse desfazer tudo de errado entre nós e apagar cada lembrança sua que ainda existe em mim..."


"O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada. O tempo apenas tira o incurável do centro das atenções."
(Martha Medeiros)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Rafaella.

"Para resolver os problemas dos outros age com muita sabedoria, já quando o problema é seu tende a sentir-se desnorteado. Isso acontece porque sente-se mais confortável em decidir as coisas sempre com a cabeça fria. Mas seu coração sempre se intromete no meio das dúvidas, e fica difícil mesmo decidir. Um bom conselho seria controlar a ansiedade nestas horas e não ter medo errar. Eis uma boa maneira de aprender."
É...

terça-feira, 22 de julho de 2008

Luto

Poucas são as pessoas que eu posso dizer com convicção que se importam comigo. Hoje uma delas não está mais aqui, e agora eu sinto algo que não sei explicar... Não sei se retribuí todo o carinho e preocupação que ele demonstrava por mim e é isso que mais me angustia. Imaginar que nunca mais o verei é triste demais e é doloroso demais.
Por mais que eu diga que aprendi que devemos mostrar a importância das pessoas na nossa vida hoje, porque um dia elas não estarão mais aqui conosco, eu não aprendi totalmente. Nunca esperamos que elas vão embora. No fundo, achamos que isso nunca vai acontecer e quando acontece, desabamos.
Hoje caí na real, acho que de vez, que tudo isso um dia acaba; essa vida que levamos tão vagarosamente e displicentemente nos escapa quando menos esperamos. Ninguém espera, nem nós nem os que estão ao nosso redor.
Meu pai se fecha numa fortaleza imaginária, mentirosa e cheia de imperfeições. Sinto-me mal por ele. Não é bom sofrer assim, abafado. Fico pensando também como será quando ele se for, e quando minha mãe se for. Não consigo me ver sem eles, acho que não aguentaria.
Minha avó sempre chora e se lamenta. Um dia ela vai estar melhor, vai se acostumar, mas nunca vai ter esse aperto no peito arrancado totalmente. Eu espero que ele diminua logo, para que ela possa viver como antes.
A vida da nossa família nunca mais vai ser a mesma sem o velhinho orelhudo do dedo torto, das balas, dos discursos, dos presentes... Sem o avô preocupado com todos, que queria sempre todo mundo reunido e feliz. Aquele que sempre lutou por nossa felicidade.
Ele nos deixou, mas nos deixou com a felicidade que nos proporcionou sempre e com as virtudes que ele cultivou na nossa família. A admiração que sinto por ele hoje é muito grande, e tenho medo de que ele não saiba disso. Eu só queria ter dito mais uma vez, olhando nos olhos dele: "Vô, eu te amo."

sábado, 21 de junho de 2008

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Um belo dia você muda e já não aguenta certas coisas. Você se cansa de atitudes infantis; tenta parar de se preocupar tanto com o que os outros vão sentir se você os contrariar e fizer o que quer; você percebe que não vale a pena perder tempo discutindo por motivos estúpidos que não fazem sentido para você. Um dia você muda porque se cansa de ser como sempre foi. Você quer ser mais feliz do seu jeito, sem deixar que te digam como você tem que ser, ou te reprimam por você ser quem é.

Um dia você enjoa das pessoas e finalmente é mais você.

sábado, 7 de junho de 2008

Amigos (Vinícius de Moraes)

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências... A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
"A gente não faz amigos, reconhece-os."
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